Introdução
Todos pensamos ter uma boa cultura geral. No entanto, algumas "verdades" que repetimos desde a infância são completamente falsas. Estes mitos estão tão enraizados no nosso dia a dia que passam por factos estabelecidos. Investigadores da Universidade de Harvard estimaram que a pessoa média acredita em pelo menos 10 falsas crenças populares sem sequer se aperceber. O boca a boca, os filmes, os manuais escolares desatualizados e agora as redes sociais propagam estes erros de geração em geração.
Prontos para descobrir se caíram na armadilha? Aqui ficam 15 erros de cultura geral que quase toda a gente comete, com as explicações científicas e históricas que restabelecem a verdade.
História
1. "A Grande Muralha da China é visível do espaço"
O mito: Pode-se ver a Grande Muralha a olho nu a partir do espaço, ou até da Lua.
A realidade é bem diferente. A Grande Muralha tem em média cerca de 6 metros de largura. A partir da órbita terrestre baixa (cerca de 350 km), é como tentar ver um cabelo a 3 km de distância. Vários astronautas, incluindo Yang Liwei (o primeiro chinês no espaço), confirmaram que não é visível a olho nu. Este mito remonta a 1932, muito antes dos primeiros voos espaciais. Em contrapartida, autoestradas e aeroportos, muito mais largos, são efetivamente visíveis a partir da órbita.
2. "Napoleão era baixo"
O mito: Napoleão Bonaparte era um homem de estatura muito baixa.
Napoleão media 1,68 m, o que era perfeitamente normal para a época (a altura média masculina em França no início do século XIX era de cerca de 1,65 m). A confusão vem de uma diferença entre polegadas francesas e inglesas. A sua altura de "5 pés e 2 polegadas" em medida francesa correspondia na realidade a cerca de 5 pés e 7 polegadas inglesas. Além disso, a propaganda britânica da época adorava caricaturá-lo como um personagem diminuto, uma imagem que sobreviveu durante dois séculos.
O mito: Os guerreiros vikings combatiam com capacetes adornados com cornos impressionantes.
Nenhuma prova arqueológica confirma esta imagem popular. Os verdadeiros capacetes vikings eram simples, em ferro, por vezes com um protetor nasal. A imagem dos cornos provém de figurinos criados para uma ópera de Wagner em 1876 e de representações românticas do século XIX. Em batalha, cornos num capacete teriam sido mais um inconveniente que uma vantagem, oferecendo pegas fáceis ao adversário.
4. "Cristóvão Colombo provou que a Terra era redonda"
O mito: Antes de Colombo, as pessoas pensavam que a Terra era plana, e ele provou o contrário em 1492.
Os antigos Gregos já sabiam que a Terra era redonda. Eratóstenes tinha mesmo calculado a sua circunferência com notável precisão por volta de 240 a.C., com um erro inferior a 2% em relação às medições modernas. Na Idade Média, os eruditos europeus não acreditavam numa Terra plana. O verdadeiro debate era sobre o tamanho da Terra e a distância até à Ásia navegando para oeste. Ironicamente, Colombo tinha subestimado essa distância e teria perecido sem a descoberta acidental das Américas.
Ciências
5. "Só usamos 10% do nosso cérebro"
O mito: Os humanos usam apenas 10% da capacidade cerebral, e poderíamos desbloquear poderes se usássemos os restantes 90%.
A imagiologia cerebral moderna (ressonância magnética funcional) mostra claramente que usamos a totalidade do nosso cérebro, mesmo que nem todas as zonas estejam ativas simultaneamente. Cada região tem uma função específica. Mesmo uma lesão mínima em qualquer zona do cérebro provoca consequências mensuráveis. Este mito foi popularizado por filmes como Lucy, mas não tem qualquer base científica. O cérebro representa apenas 2% da nossa massa corporal mas consome cerca de 20% da nossa energia, o que seria um desperdício evolutivo colossal se 90% estivesse sem uso.
6. "O raio nunca cai duas vezes no mesmo sítio"
O mito: Um local atingido por um raio nunca será atingido novamente.
Isto é completamente falso. O Empire State Building em Nova Iorque é atingido por raios cerca de 25 vezes por ano. Os raios atingem preferencialmente pontos elevados e estruturas metálicas, pelo que certos locais são muito mais suscetíveis de serem atingidos do que outros, e de forma repetida. O guarda florestal americano Roy Sullivan foi atingido por raios 7 vezes ao longo da sua vida e sobreviveu em todas.
7. "Os girassóis seguem o sol o dia todo"
O mito: Os girassóis viram a cabeça para seguir o sol da manhã à noite.
Apenas os girassóis jovens em crescimento seguem o sol (um fenómeno chamado heliotropismo). Uma vez adultos e em plena floração, os girassóis permanecem orientados para leste de forma fixa. Esta orientação matinal atrai mais polinizadores porque a flor aquece mais rapidamente com o sol nascente, aumentando as visitas de abelhas em quase 5 vezes em comparação com flores orientadas para oeste.
8. "O vidro é um líquido que flui lentamente"
O mito: Os vitrais das catedrais antigas são mais grossos em baixo porque o vidro fluiu ao longo dos séculos.
O vidro é efetivamente um sólido amorfo, mas não flui à temperatura ambiente. A espessura irregular dos vitrais antigos explica-se pelas técnicas de fabrico medievais (sopro em coroa) que não produziam placas de espessura uniforme. Os artesãos colocavam frequentemente o lado mais grosso em baixo por razões de estabilidade. Cálculos físicos mostram que mesmo ao longo de milhares de milhões de anos, o vidro não fluiria de forma percetível à temperatura ambiente.